VISITANTE DO FUTURO
Houve
uma época, não muito distante, em que
o Netscape, um produto de garagem, era utilizado por
nove em cada dez internautas. Foi há pouco tempo
que a Microsoft, o gigante de Redmond, até então
adormecido, alheio ao fantástico crescimento
da Internet, acordou faminto e determinado. Não
se poderia simplesmente ignorar a jovem Internet comercial.
Desperto, empenhou-se em uma batalha que duraria anos
e seria travada em 'fronts' comerciais, técnicos
e até jurídicos.
Durante
os anos de conflito, o trabalho dos desenvolvedores
de websites foi marcado pelo esforço em busca
da compatibilidade. Sites perfeitamente visualizados
em determinada versão do Internet Explorer, por
exemplo, se apresentavam totalmente descaracterizados
para os usuários de Netscape. Outras vezes, eles
funcionavam bem para o Internet Explorer 4, mas eram
deformados pelo Internet Explorer 5. Para piorar, mesmo
o próprio Internet Explorer 5 apresentava significativas
diferenças de exibição se estivessse
instalado em máquina Windows ou Macintosh.
A
cada nova versão ou browser que surgia, o risco
da incompatibilidade se agravava. E, para que um nível
de universalidade apenas razoável fosse alcançado,
a única solução era criar sites
diferentes para navegadores diferentes. Os desenvolvedores
eram obrigados a tentar identificar o ambiente do visitante
e fornecer-lhe um site que fosse navegável. Como
isso, o trabalho de criação e manutenção
de sites era triplicado ou quadruplicado. Não
era incomum que cada site contivesse, em si, até
6 sites. Um enorme desperdício de tempo e, é
claro, de dinheiro.
Traumas e veteranos
Quando
a Guerra dos Browsers foi “vencida”, muitos
comemoraram - não porque fossem partidários
de um dos lados, mas porque a hegemonia de um parecia
prenunciar a total derrocada dos outros. Assim, um alívio
enganoso parecia apontar para a seguinte situação:
“O que interessa agora é o Internet Explorer”.
Os usuários de outros programas estavam em número
muito pequeno para almejar qualquer consideração
especial.
Esse
alívio logo se demonstrou infundado. Em primeiro
lugar porque os problemas de compatibilidade permaneceram
entre as versões do Internet Explorer. Em segundo,
e esse é um fenômeno mais recente, outros
navegadores ganharam fatias pequenas desse “mercado”
(até onde podemos chamar de mercado uma disputa
de produtos gratuitos). Suas fatias somadas não
são mais desprezíveis e, em alguns casos,
ultrapassam 20% dos visitantes.
Mas
será que estamos mesmo diante de uma nova batalha
desta guerra e teremos que utilizar as mesmas armas
ineficazes e caras que foram até aqui usadas?
Acreditamos que não e explicamos porquê.
Leia
aqui a segunda e última parte.
|