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Por Jorge Carrano A expressão "Santo do Pau Oco" surgiu de um costume oriundo do século XVII, auge da exploração de ouro e metais preciosos no Brasil. Naquela época, para escapar da fiscalização da Coroa Portuguesa, as esculturas dos santos eram feitas de madeira e "recheadas" com ouro, diamantes e dinheiro. Assim, as imagens passavam com bênçãos pelos postos de Coroa... Até bem pouco tempo, bastava apoiar alguma entidade, doar umas ambulâncias, reformar uma escola ou plantar algumas árvores e muitas empresas já se consideravam "responsáveis", ou com "forte atuação socioambiental". E tentavam, assim, passar pela "fiscalização" da sociedade. Uma espécie de "santo do pau oco corporativo". Nos últimos anos, a sociedade está cada vez mais atenta ao que fazem as empresas. Por diversos motivos. Os consumidores ficaram mais exigentes, o mercado se globalizou, a tecnologia propiciou a troca instantânea de informações, as comunidades virtuais estão ganhando força, tudo isso é verdade. Mas poucas vezes paramos para refletir que boa parte da "atenção" da sociedade se deve aos erros das próprias empresas. Naquele "ouro" escondido nas vestes de madeira dos santos. Isso vai desde aquele famoso vazamento de petróleo, na década de 1980 (veja mais a respeito aqui) até os recentes “desastres”, passando ainda por questões sociais. Como componente dessa equação, há ainda a ausência do poder público regulador e fiscalizador. Na linha da “irresponsabilidade fiscal” existem vários casos, como Enron e Worldcom, nos EUA e, recentemente, aqui no Brasil, notícias envolvendo empresas de grande porte — uma cervejaria, uma empresa de produtos de luxo, e uma marca respeitada de equipamentos de telecomunicações. Inocentes ou culpadas, as empresas de fato tiveram seus nomes envolvidos, com prejuízos para sua reputação. E, ao falarmos de reputação, chegamos à questão da responsabilidade da comunicação. Não estamos sugerindo que os profissionais de comunicação saiam por aí denunciando as empresas nas quais trabalham, mas que tentem, na medida do possível, alertar a alta diretoria sobre a necessidade de medir com cuidado o que se diz na comunicação. O importante é fazer primeiro, e depois comunicar. Se faz pouco, melhor comunicar com parcimônia. Ou seja, devagar com o andor porque, mesmo que o santo não seja do pau oco, pode bem ser de barro. |
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