INFORMATIVO DA TAU VIRTUAL COMUNICAÇÃO

 
Nº 26 - fevereiro de 2007
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Por Jorge Carrano

O uso da palavra "virtual" tornou-se corriqueiro entre nós. O dicionário Aurélio considera virtual como algo "existente como faculdade, mas sem de fato existir". Mas a verdade é que o virtual já “existe” em nossas vidas há muito tempo.

Apenas para dar um exemplo, vamos lembrar do momento em que o dinheiro passou a ser o padrão de troca de mercadorias. Houve uma “virtualização” do valor. Um pedaço de papel onde estava escrito o valor que ele representava. Diferente da moeda de ouro, que trazia “o valor” na sua própria matéria.

Muito desse movimento recente em torno do conceito de virtual está associado ao fenômeno Internet. Na web, todos os temas são abordados, pessoas de todo o mundo podem estar conectadas e formar a tal "aldeia global" de Marshall McLuhan.

Entretanto, é interessante notar que, apesar desse aparente caos, as comunidades virtuais têm começado a se organizar melhor.

Num futuro talvez não muito distante, essas comunidades passarão por um reconhecimento formal, e poderão participar e influir “oficialmente” – já fazem isso extra-oficialmente – de discussões, decisões e protocolos internacionais, pois hoje praticamente todas as questões importantes ultrapassam os limites das fronteiras: tráfico de drogas, pobreza, poluição, desmatamento, energia, clima, lixo, armas e muitos outros.

Mas de onde vem a força dessas comunidades virtuais? Do fato de estarem conectadas numa mesma "frequência", pois as pessoas se agrupam por afinidades. Preferimos sempre estar com pessoas cujos interesses sejam similares aos nossos. O grande poder da comunidade virtual está no fato de reunir pessoas ligadas por gostarem, detestarem ou acreditarem nas mesmas coisas, independentemente de sua localização geográfica, idioma, credo ou raça. Aliás, esse é o conceito correto da palavra comunidade, que quer dizer fundamentalmente "qualidade do que é comum", "comunhão".

Pode parecer um exagero, mas esta é uma mudança e tanto no modo de pensar tradicional já que, em geral, consideramos uma comunidade apenas como um grupo por pessoas que dividem uma determinada região, estando próximas fisicamente.

Essa dificuldade em perceber uma comunidade virtual como “parte interessada” (stakeholder) pode ser uma ameaça para muitas empresas, sobretudo as de atuação global. As que perceberem mais cedo a necessidade de monitorar o que pensam essas comunidades e, sobretudo, aprenderem a não menosprezar seu poder de mobilização, poderão obter importantes ganhos de imagem e reputação.

Não estranhe, um dia uma comunidade dessas talvez tenha um assento na ONU.

Jorge Carrano é presidente da Tau Virtual Comunicação



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