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Por Jorge Carrano
Se você chegar numa empresa, chamar todos os seus gerentes e perguntar quem quer assistir à apresentação do relatório da contabilidade, ou da manutenção, desconfio que poucos vão se interessar. Mas, se a mesma oferta for feita para assistir à apresentação da agência de propaganda (ou da agência web), garanto que todo mundo vai querer participar. E mais, vai participar "ativamente", ou seja, dar palpite. Sim, o universo empresarial está repleto de "palpiteiros corporativos".
Comunicação empresarial não é para leigos. Todo mundo acha que "entende" do assunto. Se fosse assim, as empresas não contratariam profissionais cada vez mais especializados para cuidar de sua comunicação. Para começo de conversa, não é questão de "gosto". Cores, tipo de fonte, posição dos elementos numa página, as palavras usadas, e todos os outros componentes de uma peça de comunicação - seja ela um anúncio, website, folheto, outdoor, uma matéria de revista ou um comercial de TV - não são elementos que estão lá por "gosto" de quem os fez, aleatoriamente. Obedecem à técnicas que são fruto de muitos anos de pesquisas, estudos e erros também.
O comportamento que gera essa opinião é tão absurdo quanto aquele do sujeito que diz, diante de um quadro de Miró (ou Van Gogh, ou Picasso), que seu filho de cinco anos faz igualzinho! Bem, se o moleque tem esse talento, o que você está fazendo no seu empreguinho que não vai agenciar o gênio da família?
Outro erro comum do palpiteiro é achar que o trabalho de comunicação deve ser sempre genial, rápido e barato, principalmente se for "feito no computador" (que, afinal de contas, faz tudo sozinho...). Aqui temos outro palpite infeliz.
O que alguns clientes e todos os palpiteiros não compreendem é que, em todo o trabalho de comunicação, existem três atributos fundamentais para o cliente: a qualidade da solução, a velocidade com que é produzida e o valor do serviço. A má notícia é a seguinte: o cliente só pode escolher duas delas: se o serviço é rápido e de qualidade, não pode ser barato. Se for rápido e barato, não terá qualidade. Pode jogar com essas variáveis o quanto quiser. Nunca conseguirá plenamente obter os três atributos. Na dúvida, não abra mão da qualidade. É ela que vai garantir o resultado. E deixe os palpiteiros fora da sala, por favor.
Jorge Carrano trabalha há 24 anos na área de comunicação empresarial.
Atualmente, é diretor-presidente da Tau Virtual Comunicação |